Impedimento.org http://impedimento.net Solamente futebol sul-americano Thu, 08 Dec 2016 03:05:42 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.8.4 15 anos depois, dois anos depois: é um sopro la vida http://impedimento.net/15-anos-depois-dois-anos-depois-e-um-sopro-la-vida/ http://impedimento.net/15-anos-depois-dois-anos-depois-e-um-sopro-la-vida/#comments Thu, 08 Dec 2016 02:51:51 +0000 http://impedimento.net/?p=57398 Quince años no es nada, que febril la mirada.

Nada como um dia depois do outro. Nada como quinze anos após. Ou dois anos. Estamos todos na mesma febre, uns quentes até a morte, outros calientes em busca de elevação, paraíso, cerveja e LUXÚRIA, tudo que nos conforta. Tudo que nos move. Durante toda a trajetória do Impedimento, convivemos com os torcedores gremistas em seu inferno astral, seu ponto de ebulição particular, a aflição que os acompanhava desde o despertar até o ponto em que faca cortava o pão francês (cacetinho, hereges!) e além. Hoje está dito. Hoje é passado. Hoje é pouco antes da morte. A madrugada tem três cores e assim vai amanhecer pelas próximas muitas manhãs. O Grêmio é campeão da Copa do Brasil.

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“Campeão da Copa do Brasil” para quem não é gremista. Para quem resistiu nestes anos, mudando de ano, mudando de estádio, acreditando e praguejando, mudando de personalidade, se fosse o caso – esquizofrenia nossa de cada dia – é mais que do que isso. O Grêmio é campeão, e só isso basta. Porto Alegre passou o dia entre foguetes e expectativa, uma preparação rumo à madrugada que prometia ferver, e cumpre a promessa. Na Avenida Goethe há milhares de pessoas, em alguns lugares Porto Alegre está calma, mas o ar pende como uma rede que balança na varanda. A ebulição está em qualquer ponto horizonte.

É a primeira vez que publicamos no Impedimento desde que encerramos a atividade no site. Par disponibilizar a caixa de comentários como homenagem aos gremistas que sempre nos acompanharam em seus piores anos, e também como reverência ao momento que passamos todos, vestindo cada qual a sua maneira a camisa da Chapecoense. Para o Impedimento, há um ponto de encontro aí, mesmo que precise unir alegria e tragédia: vamos seguir. O futebol tem outro brilho na América do Sul e os sul-americanos absorvem o futebol com pulmões incansáveis. Vamos, Grêmio. Vamos, Chape. Vamos, todos.

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ImpedCopa X: As camisas que se cruzam e os cruzamentos http://impedimento.net/impedcopa-x-as-camisas-que-se-cruzam-e-os-cruzamentos/ http://impedimento.net/impedcopa-x-as-camisas-que-se-cruzam-e-os-cruzamentos/#comments Tue, 19 Aug 2014 23:30:03 +0000 http://impedimento.net/?p=57346 (A ImpedCopa X se aproxima. Sinal disto são os congestionamentos na FREE WAY e adjacentes, em razão dos caminhões monumentais que rumam para Porto Alegre trazendo nas caçambas as camisas antológicas, cada fiapo pesando toneladas de história y coperismo suado. Este post vem trazer as ilustrações destes mantos e mais: as tabelas que mostram todos os caminhos que levam a ELA, inclusive os atalhos e as saídas pela tangente. A partir de agora, todos estão aptos a jogar com o regulamento embaixo do braço, seguindo o grande ensinamento de todo técnico que se preze, aos 39 de um segundo tempo quase falido: BOTA NO FEDOR!

De resto, a fórmula está escancarada nas tabelas abaixo. Os 4 primeiros da Primeira Fase já se encaminham para as quartas-de-finais, que serão completadas pelos que sobreviverem à Repescagem. Os critérios de desempate também seguem abaixo. Chamamos atenção mesmo são para os cruzamentos geniais com que esta ImpedCopa especial nos brinda, como o primeiro embate de campeões, entre Desamparados e Patriotas e o primeiro entre times até então ignorados pelo mundo, o caso de Tremelec x Murciélagos. Lembrando que os jogos iniciam às 13h, mas pedimos encarecidamente para todos estarem presentes até as 12h30min, se possível.

Cabe ainda fazer a primeira chamada para a já tradicional RECEPÇÃO AOS VIAJEROS, sempre na sexta-feira de véspera, a partir das 19h, no bar D’Torres, Rua dos Andradas, 762, Centro Histórico. Estejam lá, é sempre uma alegria.

Agora, façam as contas ou façam de conta:

tabela

tabela 1

tabela 2

tabela 3

E abaixo os gloriosos mantos:

centauros

chalaco

desamparados

excursionistas

ini gas

libermorro

luqueno

murcielagos

nacional querido

patriotas de tunja

ribamar

tremelec

Administrando o fogo,
Nação Impedimentense.)

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X ImpedCopa: times escalados para a epopeia http://impedimento.net/x-impedcopa-times-escalados-para-a-epopeia/ http://impedimento.net/x-impedcopa-times-escalados-para-a-epopeia/#comments Fri, 15 Aug 2014 14:27:07 +0000 http://impedimento.net/?p=57326 (Nós, os leitores do Impedimento, invadimos o bolicho, mas só para um breve parênteses que será fechado, em grande estilo, na ImpedCopa que se aproxima. Na verdade, dizer que invadimos é fazer tipo: o Imped Querido abriu os portões e liberou o campinho já desde a maior das madrugadas, na transmissão EN VIVO, via twitter, da celebração libertadora.

Pois aproveitamos o espaço para VAZAR NA NET as escalações dos times que pelearão por ELA. O documento abaixo foi encontrado escondido numa caixa de Marlboro ceconéllica:

escalacoesEsclarecemos que foi realizado um sorteio no momento da nomeação dos times, uma vez que não poderíamos repetir as escalações dos times campeões.

Nunca é demais repetir: todos estão convocados a comparecer ao grande festejo que se dará no dia 23, essencialmente AO REDOR da cancha. Quem não vai jogar, aliás, não paga nada e para participar, caso queira bigodear um churras, a senha é apenas e tão somente levar um naco de carne, ou estará condenado para todo o sempre ao Reino Sombrio do Pastel Folhado no bar do HD.

Na semana que vem, divulgaremos as tabelas e os últimos avisos sobre este evento que é o combustível maior de uma chama que inverno nenhum pode apagar. A foto abaixo é só um bonito exemplo disto.

impedfest

Lunaticamente,
Nação Impedimentense)

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Galeria: a noite interminável do San Lorenzo http://impedimento.net/galeria-a-noite-interminavel-do-san-lorenzo/ http://impedimento.net/galeria-a-noite-interminavel-do-san-lorenzo/#comments Thu, 14 Aug 2014 11:24:18 +0000 http://impedimento.net/?p=57297 O fotógrafo e documentarista argentino Federico Peretti, responsável pelo documentário El Otro Fútbol e pela série Outro Futebol, esteve no Nuevo Gasómetro na noite desta quarta-feira (13) e clicou o histórico título de Libertadores do San Lorenzo. É dele a galeria de imagens da noite que não terminará para os cuervos.

Aqui, o relato da outra final, a do Impedimento.

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Uma madrugada qualquer, a madrugada http://impedimento.net/uma-madrugada-qualquer-a-madrugada/ http://impedimento.net/uma-madrugada-qualquer-a-madrugada/#comments Thu, 14 Aug 2014 03:02:47 +0000 http://impedimento.net/?p=57283 _MG_1382

Se o Impedimento fosse um VEÍCULO sério, a esta altura estaria em Boedo injetando Fernet na veia e saudando o San Lorenzo como o maior clube campeão da Libertadores de todos os tempos, justamente por ser aquele que mais lamentava não ter a Copa. Mas não. Estamos totalmente embriagados, todos editores e redatores e leitores, em uma indispensável mistura de ImpedFest com cobertura coletiva, simplesmente bebendo à maior final de Libertadores possível, ao mesmo tempo a mais terrena e a mais divina. Porque isso, bom, é a melhor coisa de não ser um site profissional.

Alguns dirão que o Nacional Querido merecia melhor sorte, e todos nós vamos concordar, pois o time paraguaio contrariou todas as expectativas e partiu com as esporas eriçadas para cima do Ciclón, controlando boa parte do jogo e inclusive metendo bola na trave. Todos mereciam melhor sorte desde sempre nesta Libertadores entregue a todos os santos. Mas o San Lorenzo venceu em condições totalmente normais para a MAGNITUDE do momento – jogou muito menos, mas ganhou com um pênalti gratuito ao extremo, convertido por Ortigoza.

Ninguém pode julgar ou levantar suspeitas, pois uma final de Libertadores é a partida em que jogar bem é o que menos interessa. O San Lorenzo teve cem anos para mostrar bom futebol, mas apenas uma noite para ser campeão da América. Com o título, não é apenas a história do San Lorenzo que é modificada: a própria Libertadores cresce em mitologia ao acrescentar na sua base uma camisa de tamanha envergadura.

E, então, eis que na calada da noite preta de Boedo, o Impedimento promove um golpe espiritual no Papa e UNGE outro campeão inédito da Libertadores. Porque os teóricos da Maldição do Impedimento se negam a enxergar que todos os palpites equivocados foram meticulosamente arquitetados para democratizar aquele latifúndio feito de madeira nobre e crivado de plaquinhas. E, nestes nove anos, já vimos esquadras outrora imberbes na lide libertadora cultivarem barbas formidáveis e se tornarem sábias na sempre crespa arte que conduz à chuva de papel picado – Inter, LDU, Corinthians, Atlético-MG e, agora, pra provar que realmente vimos de tudo e que nosso aproveitamento esteve muito menos para líder de pontos corridos do que para um campeão que passou pela repescagem, o mais improvável de todos, que hoje desmonta o cruel CHISTE que usava seu próprio nome.

O Impedimento já viu e cobriu, às vezes bem, outras de forma medonha, portanto, praticamente tudo que era possível em termos de delírio futebolístico – desde os mais contemplativos e insuspeitos personagens aos mais improváveis eventos, que fizeram gelar aos mais fleumáticos habitantes da noite e causaram desconforto nos mais convictos ateus. Particularmente, eu já escrevi sobre praticamente tudo que é possível no Impedimento, desde os mais dramáticos e redentores cenários, daqueles que fizeram do campo um teatro, aos que fizeram bocas se contorcerem em dor e desespero. Já tive teto preto junto de vocês. Homenageei quem não pode se deixar de homenagear jamais. Compartilhei revelações na beira da estrada. Escrevi textos bons e textos patéticos. Escrevi sóbrio, bêbado, doente. Sonhei que escrevi e muitas vezes não queria escrever. Escrevi textos em trinta minutos e textos em quatro horas. Escrevi tudo e tanto que muitas vezes me senti OCO, sem alma e sem rejunte.

Neste tempo todo, no entanto, jamais havia escrito em contagem regressiva.

Pois bem. Aqui chegamos.

E vamos em frente, em meio ao caos, que a brasa ainda está quente.

Gracias, Impedimento!

Douglas Ceconello

A foto é do Federico Peretti.

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Ao vivo: a última final de Libertadores do Impedimento http://impedimento.net/ao-vivo-nossa-ultima-final-de-libertadores/ http://impedimento.net/ao-vivo-nossa-ultima-final-de-libertadores/#comments Wed, 13 Aug 2014 22:08:41 +0000 http://impedimento.net/?p=57274 É chegada a hora. Como anunciamos no dia 22 de julho, o Impedimento como conhecemos chega ao fim. A partir desta quinta-feira, 14 de agosto, após a épica final de Libertadores entre San Lorenzo e Nacional Querido, deixaremos de atualizar o site. O que vier depois, virá.

Estamos, na noite derradeira desta quarta-feira, 13 de agosto de 2014, assistindo à final da Libertadores entre os amigos que se formaram ao longo dos últimos nove anos em que estivemos dedicados a esta CACHAÇA. Quem quiser, pode chegar no bar Malvadeza (Travessa do Carmo, 76, Cidade Baixa, Porto Alegre). Quem está longe, pode acompanhar a função pelo vídeo abaixo ou pelo Twitter, com a hashtag #impedimentonomás.

Acompanhem a transmissão ao vivo da ImpedFest derradeira:

Participem da cobertura no Twitter usando #impedimentonomás:


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Oso Arturo, Rey de Copas http://impedimento.net/oso-arturo-rey-de-copas/ http://impedimento.net/oso-arturo-rey-de-copas/#comments Wed, 13 Aug 2014 14:43:39 +0000 http://impedimento.net/?p=57267 wtv9z4yx-1

Showmatch, antes conhecido como Videomatch, é o programa de televisão mais assistido na Argentina e em boa parte da América hispânica. Seu apresentador é Marcelo Tinelli, fanático do San Lorenzo finalista da Copa Libertadores e um autêntico Rei Midas da televisão, responsável pela concepção de um sem fim de personagens que habitarão para sempre o imaginário coletivo do Rio da Prata.

Ao mais futeboleiro deles são dedicadas estas linhas. A ele e ao Impedimento, que hoje se despede. Estou falando de Oso Arturo

Oso Arturo é um tamanduá que tem uma obsessão: aparecer na televisão. Não existe outro como ele e, pelo que sei, é o único violeta. Oso hormiguero, rocanrolero, Arturo. Esta breve descrição do sujeito narrativo não é mais que a canção com que Oso Arturo ingressava no estúdio de Videomatch, todas as noites, para alegrar minha vida escolar, a minha e de tantas outras crianças que desejávamos vê-lo entrar em ação.

É que esse cara me fazia feliz. Esse cara que se disfarçava de tamanduá, e antes de isso havia se disfarçado de dinossauro e em vez de chamar-se Arturo se chamava Bernardo, demostrando que não importa o nome nem o animal, quando o que vale é uma Ideia, nos fazia felizes. Liberava nossos corpos, nossas almas e nossas mentes do jugo do neoliberalismo, do açoite das políticas econômicas privatizantes, da submissão às receitas do Fundo Monetário Internacional. Assim foi por 20 minutos, mas que 20 minutos, mamita querida.

Seus combates com a bola do Bingo Lavalle são inesquecíveis. Nem um Tyson vs. Holyfield fica à altura. Porque Oso Arturo se atirava inteiro, mesmo que colocando em risco sua própria vida, para nos fazer rir.

Salvou até o presidente argentino De la Rúa, aquele que não pôde terminar seu governo e fugiu em um helicóptero, do assédio de um manifestante que havia se infiltrado no estúdio do programa. Atenção, ele era contrário às medidas de De la Rúa. Mas antes de qualquer coisa era um democrata e, como tal, defendeu a institucionalidade.

Eu o vi dar a volta olímpia no Maracança. Não me contaram, eu vi. Independiente, seu Independiente, conquistou a Supercopa contra o Flamengo e ele estava ali, festejando com os jogadores, no campo de jogo do Jornalista Mario Filho. Era o Dinossauro Bernardo, na realidade. Mas não importa. Já que disse que não importa. Naquela noite, tocou o céu com as mãos.

E talvez por isso se foi. Porque entendeu que não tinha nada mais para dar. E nos condenou a 20 anos sem ele. Esse canalha sempre tramposo que chamam destino nos privou de sua magia. Passaram dezenas de humoristas, centenas de cantores, patinadores e bailarinos, milhares de formatos, três canais, seis presidentes, dois milênios. O que não passou, eu juro, foi um dia sem que pensasse em seu torno.

Jamais perdi a esperança. E lutei com todas as minhas armas por essa causa que considerava justa. No boca a boca, de porta em porta, militando, convencendo, recordando, mantendo viva a chama deste sujeito que se disfarçava de tamanduá, e que antes disso havia se disfarçado de dinossauro e em vez de se chamar Arturo se chamava Bernardo. E nada foi em vão. Porque voltou. Um dia voltou.

Foi em 2014. O programa se chamava Showmatch, mas ele nos devolveu ao Videomatch. Que não era o mesmo, me diziam. Pode ser. Por disputas contratuais, teve de recorrer ao nome Osho Arturro. Mas o que vão falar do amor, estes rábulas. Estes mercadores da letra miúda. Se a essência não mudou! Ali estava Oso Arturo. De novo. Reinventado-se. Fazendo sua revanche do esquecimento. Vencendo a inexorabilidade do tempo.

O que eu quero dizer com isso? Não sei. Sinceramente não sei. Mas sei que às vezes os textos não precisam dizer algo: simplesmente dizem. E eu digo que assim como Oso Arturo um dia foi e voltou, Impedimento hoje se vai, mas vai voltar.

Héctor Mateo

***

Oso Arturo Rey de Copas

Showmatch, antes conocido como Videomatch, es el programa de televisión más visto de Argentina y buena parte de la América hispana. Lleva casi un lustro en el tope de las preferencias de los espectadores. Su conductor es Marcelo Tinelli, fanático del San Lorenzo finalista de la Copa Libertadores y un auténtico Rey Midas de la pantalla, responsable de la concepción de un sinfín de personajes que habitarán para siempre el imaginario colectivo del Río de la Plata. Al más futbolero de ellos están dedicadas estas líneas. A él y a Impedimento, que hoy se despide. Estoy hablando del Oso Arturo.

El Oso Arturo es un oso que tiene una obsesión: salir en la televisión. No hay otro como él, y por lo que se sepa, él es el único violeta. Oso hormiguero, rocanrolero, Arturo. Esta breve descripción del sujeto narrativo no es más que la canción con la que el Oso Arturo hacía su ingreso al estudio de Videomatch, todas las noches, a alegrar mi vida de escolar; la mía y la de tantos otros niños que deseábamos verlo entrar en acción. Es que ese tipo me hacía feliz. Ese tipo que se disfrazaba de oso, y que antes de eso se había disfrazado de dinosaurio y en vez de llamarse Arturo se había llamado Bernardo, demostrando que no importa el nombre y menos aún el animal cuando lo que vale es una Idea, nos hacía felices. Liberaba nuestros cuerpos, nuestras almas y nuestras mentes del yugo del neoliberalismo, del azote de las políticas económicas privatizadoras, del sometimiento de las recetas del Fondo Monetario Internacional, así fuera por veinte minutos. Pero qué veinte minutos, mamita querida. Sus combates con la bola del Bingo Lavalle son inolvidables. Ni un Tyson-Holyfield está a la altura. Porque el Oso Arturo se jugaba entero, aún a riesgo de su propia vida, para hacernos reír. Si hasta salvó al Presidente argentino De la Rúa, aquel que no pudo terminar su gobierno y huyó en helicóptero, del asedio de un manifestante que se había infiltrado en el estudio del programa. Ojo, él estaba en contra de las medidas de De la Rúa. Pero antes que nada era un demócrata y, como tal, defendió la institucionalidad. Yo lo vi dar la vuelta olímpica en el Maracaná. No me lo contaron: yo lo vi. Independiente, su Independiente, le ganó la Supercopa al Flamengo y él estaba allí, festejando el título con los jugadores, en el mismísimo campo de juego del Jornalista Mario Filho. Era el Dinosaurio Bernardo, en realidad. Pero no importa. Ya dije que no importa. Aquella noche, tocó el cielo con las manos.

Y quizás por eso se fue. Porque entendió que no tenía nada más para dar. Y nos condenó a veinte años sin él. Ese canalla siempre tramposo al que llaman destino nos privó de su magia. Pasaron decenas de humoristas; cientos de cantantes, patinadores,y bailarines; miles de formatos, tres canales, seis presidentes, dos milenios; lo que no pasó, se los juro, fue un día sin que pensara en su vuelta. Jamás perdí la esperanza. Y luché con todas mis armas por esa causa a la que consideraba justa. En el boca a boca, en el puerta a puerta, militando, convenciendo, recordando, manteniendo viva la llama de ese tipo que se disfrazaba de oso, y que antes de eso se había disfrazado de dinosaurio y en vez de llamarse Arturo se había llamado Bernardo. Y nada fue en vano. Porque volvió. Un día volvió. Fue en 2014. El programa se llamaba Showmatch, pero él nos devolvió a Videomatch. Que no era el mismo, me decían. Puede ser. Por disputas contractuales, debió recurrir al nombre de Osho Arturro. Pero qué me van a hablar de amor, estos leguleyos. Estos mercaderes de la letra chica. Si la esencia no cambió!! Ahí estaba el Oso Arturo. De nuevo. Reinventándose. Tomándose revancha del olvido. Ganándole a la inexorabilidad del tiempo.

Qué quiero decir con esto? No lo sé. Sinceramente, no lo sé. Pero sí sé que a veces los textos no tienen por qué querer decir algo: simplemente lo dicen. Y yo digo que así como el Oso Arturo un día se fue y volvió, Impedimento hoy se va, pero va a volver.

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O brasileiro que virou lenda no Nacional Querido http://impedimento.net/o-brasileiro-que-virou-lenda-no-nacional-querido/ http://impedimento.net/o-brasileiro-que-virou-lenda-no-nacional-querido/#comments Wed, 13 Aug 2014 07:00:38 +0000 http://impedimento.net/?p=57251 Dizem que chegou sozinho e por acaso ao clube do bairro Obrero de Asunción. Era um tipo forte e alto, que havia sido goleiro no Brasil e portava uma maleta com alguns papeis. Demonstrou entender de futebol e disse que buscava colocação. De goleiro ou treinador. Como o clube estava sem treinador no time principal, os dirigentes decidiram fazer um teste. Terminariam aquele ano de 1962 com o vice-campeonato paraguaio.

Harold Willems Cavezzale de Campos foi o brasileiro responsável por comandar o último grande esquadrão do Nacional do Paraguai no período de seis décadas sem títulos – entre os anos 40, de Arsenio Erico, aos tempos atuais, com a histórica presença na final da Libertadores. Disciplinador, pegou um time que tinha craques como Cecílio Martínez, que jogaria no São Paulo, e só não foi campeão paraguaio por estas coisas do futebol de antanho.

Sua trajetória como goleiro foi contada pelo jornalista José Higino Gonçalves, que conversou com Harold e publicou este texto em dezembro de 2008 no jornal Minuano, de Bagé. Sim, porque apesar de ter nascido em Palmital, interior de São Paulo, em 1929, Harold Campos brilhou nos gramados do município gaúcho quase lindeiro ao Uruguai.

Segundo a reportagem, Harold foi juvenil do Palmeiras e do Vasco da Gama nos anos 40, mas começou a carreira profissional como goleiro do Novo Hamburgo, na época Floriano, e depois rumou para o Nacional de Montevidéu. Em viagem a Bagé para visitar um ex-sogro que estava doente, conseguiu vaga no Grêmio Esportivo Bagé, onde seria campeão citadino em 1952. Chegou a publicar um a pedido no jornal Correio do Sul para informar que suas falhas tinham relação com os problemas físicos que vinha enfrentando. A página oficial do Bagé tem uma foto de Harold: “além de goleiro, dava aulas de álgebra”.

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Ainda teria jogado no Brasil Pelotas e no futebol do Chile, voltando a Bagé em 1955, mas para atuar no Guarany. Desta época registra-se um dos tantos causos perdidos de Haroldo, como todos costumam se referir a ele: fraturou o braço num clássico Ba-Guá, mas como não havia substituição seguiu jogando até o final da partida.

Como treinador, Harold começou no Ypiranga de Erechim. De lá, rumaria para o Paraguai e se tornaria uma lenda no Club Nacional.

“Ele veio sozinho. Era um senhor entendido de futebol. Não tínhamos treinador e deixamos ele ficar. Trabalhou muito bem. Inclusive era cozinheiro”, nos disse por telefone Anastacio Alfonso, dirigente do Nacional Querido à época.

Cinco décadas depois, as histórias se misturam. Cecílio Martínez, craque histórico do Nacional Querido, autor de 21 gols nos 22 jogos daquela temporada de 1962 e que seria treinado por Osvaldo Brandão no São Paulo, conta que Harold se apresentou aos jogadores fardado como goleiro, porque ainda queria ser jogador. “Estávamos treinando e apareceu um sujeito grande, vestido como jogador. Chamou atenção sua figura. Comentaram que ele era goleiro e começamos a chutar a gol, para testá-lo. Mas já não tinha condições físicas”, disse Cecílio por telefone, direto de Ciudad del Este, onde vive.

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Cecílio Martínez, o segundo da esquerda para a direita, jogando no São Paulo | Foto daqui.

O cirurgião Ramón Cabañas, goleiro reserva daquele time, que hoje vive em Nova York, também me contou por telefone que Harold nutria esperanças de atuar como goleiro, mas a idade já não permitia. Mas como Harold foi parar no Paraguai? A versão que Ramón conhece dá conta de que o treinador havia se envolvido em uma briga com um militar no Brasil e resolveu dar um tempo. Don Anastacio contou a mesma história. “Era um tipo muito brigador. Um boxeador!”

Do temperamento forte nasceram as melhores histórias de Harold Campos no Nacional Querido. Algumas delas, certamente, inventadas ou pelo menos exageradas. Sabemos como é: personagens deste quilate se tornam lendas e muito difícil controlar as histórias que se contam sobre eles.

Eis um resumo do que se diz sobre Harold Cavezzale de Campos no Nacional Querido. Tinha o costume de usar um apito para deter o ataque dos adversários, que pensavam ter o árbitro da partida apitado alguma coisa. Brigava constantemente, inclusive com seus jogadores. Expulso de uma partida contra o Olimpia, dirigiu o time do alto de uma árvore, usando um walkie-talkie. Certa vez, antes de uma partida contra o Sol de América, mandou uma torta de presente a um jogador. Tinha colocado laxante na torta, e quase todos os jogadores do time adversário tiveram diarreia. Em outra ocasião, dirigia seu automóvel quando ouviu, num programa de esportes no rádio ao meio-dia, um radialista que o criticava. Correu até a emissora e tirou satisfações com o radialista. No tapa.

O aguerrido site NacionalQuerido.com coloca Harold Cavezzale de Campos na lista dos melhores treinadores do Nacional de todos os tempos. E resume, em caixa alta pulsante: “PERSONAJE INOLVIDABLE, PICARO Y GANADOR! REVOLUCIONÓ AL TRICOLOR!”

Revolucionou o Nacional porque impôs sua rígida disciplina e conceitos inovadores de preparação física. “Foi um gênio como diretor técnico. Organizou a equipe e ensinou disciplina tática. Entendia muito de tática, dos sistemas. Foi ele que inventou, no Paraguai, as jogadas ensaiadas”, afirmou Ramón Cabañas. “Era rigoroso com o plantel. Este senhor trabalhou muito bem”, atestou Anastacio Alfonso. Cecílio Martínez, no entanto, não foi tão elogioso: “Honestamente falando, quando ele chegou ao Nacional o plantel já estava formado. Era um time que jogava junto havia dois anos. Pouco ou nada podia fazer na parte tática. Agora, no que se refere à parte psicológica e demais coisas, deu seu aporte. Uniu o grupo”.

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De qualquer forma, o Nacional Querido faria uma campanha brilhante naquele 1962. Foram 68 gols em 22 jogos. Cecílio Martínez era o craque da equipe. O goleiro era Ramón Mayeregger, que muito jovem defendeu a Seleção Paraguaia. O capitão, Luis Herrera. O centroavante era o goleador e exímio cabeceador Tucú Ramírez. Um time que ainda vive na memória dos nacionalófilos.

Mas que não conseguiria conquistar o título. Por causa de uma história que nunca ficou esclarecida.

O Nacional seria campeão se vencesse o River Plate na penúltima rodada, mas perdeu por 4 a 2. Um certo Mariano Osório, atleta do River que pertencia ao Olimpia, também canditato ao título, teria usado de “recursos lícitos e ilícitos para frear os tricolores”. A última partida foi contra o próprio Olimpia, que venceu o Nacional por 3 a 2, “com facilidade incrível”, segundo o jornal ABC Color.

“Naquela época, havia problemas de suborno de jogadores. Aconteceu isso conosco, por isso não fomos campeões”, sentenciou Anastácio Alfonso, dirigente na época. Cecílio Martínez, mais uma vez, apresentou opinião contrária, e atribuiu ao temperamento difícil e às constantes desconfianças de Harold Campos contra seus próprios jogadores as causas para a desestabilização do grupo, que resultou na derrota. “Ele não tinha condições de ser técnico de uma equipe que pretendia ser campeã. Não tinha confiança em ninguém.” Já o médico Ramón Cabañas, muito bem humorado em toda a conversa, comentou: “Com o tempo, concluímos que o Olimpia comprou três jogadores do Nacional, e o Nacional comprou dois jogadores do Olimpia. E o Olimpia ganhou por 3 a 2″.

O fato de o clube não ter conquistado o título não diminui o carinho com que os torcedores do Nacional falam daquele time dirigido por Harold Cavezzale de Campos. Dono de uma biografia impressionante, o treinador ainda trabalharia em clubes de Portugal, Espanha, França e Venezuela, voltando a Bagé no final dos anos 70 para treinar o Guarany.

Por e-mail, um sobrinho disse que Harold passou os últimos 20 anos vivendo em São Paulo e morreu em 2013, aos 94 anos. Uma lenda do Nacional Querido. Uma lenda do futebol.

Venceremos,
Daniel Cassol

PS: Uma história como a de Harold Cavezzale de Campos merecia – e continua merecendo – ser contada com muito mais detalhes. No entanto, como estávamos perto da final da Libertadores e do fim do Impedimento, achei por bem contá-la assim mesmo, incompleta, sem ter conseguido ouvir um número maior de personagens que conhecem essa grande história do futebol sul-americano.

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Top 10 CAUSOS da Libertadores 2014 http://impedimento.net/top-10-causos-da-libertadores-2014/ http://impedimento.net/top-10-causos-da-libertadores-2014/#comments Wed, 13 Aug 2014 06:27:45 +0000 http://impedimento.net/?p=57249 As noites mágicas ao redor da fogueira chegarão ao fim. Como tão sabiamente fomos alertados por nossos anciões, chegaremos, inevitavelmente, ao momento derradeiro. Depois desta quarta-feira nós, TORCEDORES, hibernaremos. Sorrateiramente vamos escorrer até nossas tocas de onde só voltaremos a sair em busca da sobrevivência lá por fevereiro de 2015. A edição mais revolucionária de LA COPA ao longo dos tempos atingirá o seu ápice e ficaremos com a certeza de que, em se tratando de Libertadores, toda uma vida ainda é muito pouco para o sujeito sair por aí contando vantagem, afirmando que já viu e viveu de tudo nesse mundo.

Entre os soluços de um pranto incontrolável, enxugamos as lágrimas para que os olhos possam encontrar no mais variado repertório de boas histórias, dez CAUSOS SINGULARES restritos à edição 2014. Edição esta que coroará, na noite de hoje, um merecido campeão inédito que soube passar por rivais e também por tudo aquilo que será descrito nas próximas linhas.

1 – Oriente Petrolero 1 x 1 Nacional-URU

A partida era em Santa Cruz de la Sierra, o ponto de chegada do famoso TREM DA MORTE que começa sua aventura na cidade fronteiriça de Puerto Quijaro, ao lado de Corumbá. Afastada milhares de quilômetros do elegante frio europeu, onde técnicos desfilam ternos com corte italiano, cachecol feito da lã de algum carneiro sagrado e cabelos impecavelmente tratados a base de LAQUÊ, o técnico do glorioso Nacional uruguaio (é bom explicar, já que agora temos dois gigantes homônimos no continente), Gerardo Pelusso, incomodado com a beleza persistente da garoa boliviana, resolveu abrir seu GUARDA-CHUVAS à beira do campo para seguir instruindo confortavelmente seus comandados.

Cena clássica logo na primeira partida desta edição. Gracias, Pelusso.

2 – Deportivo Cali 1 x 1 O’Higgins

Essa fica como lição. Quiçás, até mesmo para ser aplicada nessa vida rotineira e matreira, que insiste em sempre cobrar nosso leão do dia. O Deportivo Cali perdia em seus domínios por 1 a 0 para o O’Higgins. Os colombianos eram um SUADÔ DANADO em busca do empate. Aos 47 minutos do segundo tempo, em uma bola lançada desesperadamente na área, tremendo rebuliço que termina com corpos no chão clamando por qualquer penalidade possível ou não. Nicolás Camacho, que casualmente passava por ali, nem termina de assimilar a queda do companheiro e já sai gritando, exigindo a marcação do pênalti como um argentino que teve seu dinheiro congelado no CORRALITO de 2001.

Casualmente também, como costumam ser nestes casos, a bola passou por perto e Camacho, que decidiu interromper seu protesto veemente por um instante, resolveu chutá-la a gol. Marcou.

3 – Universitario 3 x 3 The Strongest

Um dos gols mais COMPLEXOS de que se tem registro nessa competição. Ou em qualquer outra. Na mesma jogada, foram quatro chutes a gol dos homens do Strongest em apenas cinco segundos. Mas quem acabou marcando foi Diego Chávez, do Universitario, justo o único presente naquela esbórnia toda que não deveria fazê-lo. Possivelmente Chavez chegou a questionar sua própria existência depois de testemunhar – e deixar em vão – tamanho DENODO de seus companheiros em evitar o gol de empate.

4 – Unión Española 4×5 Independiente del Valle

A definição dos classificados do Grupo 2 ainda deve inspirar uma minissérie. Na última rodada apenas o Unión Española já estava classificado, mas sem saber ao certo em qual colocação terminaria. Botafogo, Independiente del Valle e San Lorenzo mantinham chances de classificação obedecendo exatamente essa ordem. Mas a Copa Libertadores é, em sua essência, um reduto da DESOBEDIÊNCIA ORGANIZADA. O primeiro a dançar foi o Fogão, que viu a viola em cacos ao ser atropelado pelo Ciclón na Argentina. Do outro lado da Cordilheira, chilenos e equatorianos faziam uma tremenda partida.

A última vaga para as oitavas de final escorregou das mãos do San Lorenzo para o Independiente. E depois do Independiente para o San Lorenzo. Tudo fazia crer que a vaga seria decidida em um domingo, na Banheira do Gugu. Até que Ignacio Piatti marcou o terceiro do Cilón já no finalzinho, lá em Bajo Flores, e classificou o San Lorenzo.

5 – San Lorenzo 3 x 0 Botafogo

Que existe um buraco escancaradamente aberto na linha espaço-tempo servindo como avalista para uma Libertadores tão única, disso ninguém mais duvida. Mas há provas de que essa mística Libertadora extrapola os limites impostos pelo PLANETA TERRA. Um registro ufológico comprova a existência de vida inteligente em outros planetas. E vai muito além disso. Segundo indicam as imagens, o San Lorenzo continua conquistando torcedores ilustres. Além de Viggo Mortensen e do Papa Francisco I, a possibilidade de que Alf, O Eteimoso, seja Cuervo é completamente verdadeira.

O vídeo foi gravado durante a vitória por 3 a 0 sobre o Botafogo no Nuevo Gasómetro.

6 – The Strongest 2 x 0 Defensor Sporting

Seguindo a linha Arquivo X desta edição, com direito a musiquinha e tudo, encontramos o famoso vídeo do tal “Fantasma de La Paz”, ou “Fantasma do Hernando Siles”. Fica a critério de quem lê acreditar ou não, mas o esforço de reportagem da televisão boliviana em validar a história chega a ser melhor que “A Bruxa de Blair”.

“Se sentía claramente la presencia de los espíritus”.

7 – Atletico Nacional 0 x 2 Defensor Sporting

Jogo de ida válido pelas quartas de final. O valente Defensor Sporting bate o Atlético Nacional por 2 a 0 em Medellín e carrega uma vantagem do tamanho do Centenário de volta para o Uruguai. A alegria era tamanha que a comissão técnica decidiu premiar os atletas com três horas livres. Vagando pelas ruas colombianas, foi tempo mais do que suficiente para Matías Malvino e Ramón Arias fazerem novas amizades e armarem EL BAILONGO. Convidaram algumas garotas para irem até o quarto no mesmo hotel onde a delegação do time estava hospedada.

O problema é que alguém tinha um celular e resolveu registrar o momento de confraternização. Ficou ainda pior porque a conexão com o 3G era muito boa e, poucas horas depois, as imagens já circulavam livremente pela internet.

8 – San Lorenzo 5 x 0 Bolívar

É possível morrer de felicidade? Difícil dizer, mas talvez seja possível morrer em estado de felicidade. A história de Juan Carlos Bodo comprovou a tese justamente no terceiro gol do San Lorenzo, marcado por Mercier, na goleada sobre o Bolívar por 5 a 0, partida de ida daquela semifinal. O relato de como tudo aconteceu, quando um coração teimoso localizado na arquibancada do Gasómetro se recusa a funcionar, é contada de forma emotiva e insuperável por sua filha, Lucía Bodo, quem acompanhava o pai em todos os jogos do Ciclón havia 12 anos.

Já na ambulância, enquanto era trasladado às pressas ao hospital mais próximo, a filha informou sobre o quarto gol do San Lorenzo, que pôde escutar de longe. “Bom, melhor assim” foi o jeito que o pai encontrou para se despedir.

9 – Bolívar 1 x 0 San Lorenzo

Dizem que o Ciclón foi atrás de Bauza por ele ser conhecedor dos caminhos mais curtos ao título da Libertadores. E em algum momento da competição, quem se postula ao título terá de enfrentar a altitude. O técnico do San Lorenzo então receitou VIAGRA ao plantel, uma vez que o remédio tem propriedades de oxigenação sanguínea e ajuda a reduzir os efeitos de quem precisa correr durante 90 minutos estando a 3.600 metros acima do nível do mar, como é o caso de La Paz.

É possível que a dúvida esteja pairando no ar, mas não. O Viagra NÃO contém substâncias que possam apresentar problemas futuros no exame antidoping.

10 – Nacional-PAR 1 x 1 San Lorenzo

E para encerrar, a imagem que ecoará na memória daqui até a eternidade. A Taça Libertadores vestida de festa. Porque até pode ser que ela fique muito bonita permanecendo perfeitamente polida e intocável, exibida com restrições no alto de alguma estante ou vitrine campeã.

Mas o que ela gosta mesmo é vestir-se de festa.

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Leonardo Lepri

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Seguro desemprego http://impedimento.net/seguro-desemprego/ http://impedimento.net/seguro-desemprego/#comments Tue, 12 Aug 2014 17:03:14 +0000 http://impedimento.net/?p=57236 crb

Como quem acorda às cinco, engole às pressas o pão dormido, conta as moedas da passagem e se espreme por hora e meia no Henrique Enquelman-Vergel para retirar a senha setenta e quatro no posto de atendimento do Ministério do Trabalho, CRB e ASA entraram em campo na noite da última segunda pela décima rodada da Terceirona.

No estado onde 10% da população está desempregada e um em cada quatro jovens não estuda nem trabalha, a fila dos desempregados se repete como um vinil arranhado do Nelson Ned a cada segunda-feira.

Alguns, barba rala e esperança no rosto, retiram a primeira via da Carteira de Trabalho. Outros, filho a tiracolo enquanto a esposa começa a faxina em algum apartamento à beira mar, garimpam vagas no Sistema Nacional de Emprego. A maioria, termo de rescisão à mão e aluguel vencido na cabeça, aguardam a vez para solicitar o Seguro-Desemprego.

Nada mais adequado, portanto, que o último clássico Caeté de 2014 ocorresse numa segunda-feira, o dia mais alagoano da semana.

Vindo de derrotas, os dois clubes chegaram ao Trapichão no limiar entre o sonho da classificação e a angústia do rebaixamento. Com doze pontos em nove jogos, o Galo da Pajuçara precisava da vitória para voltar ao G-4 do grupo A. Já o time de Arapiraca, com apenas duas vitórias na competição, tentava expurgar os fantasmas do segundo rebaixamento seguido.

E foi com o bafo da degola e da dispensa antecipada na nuca que o time do ASA se lançou ao ataque no início da partida, com um chute da intermediária aos três, uma cabeçada aos cinco e uma gol anulado aos doze minutos, depois que DIDIRA completou impedido o cruzamento de Tiago Baiano.

No tranco e no susto, o CRB retomou pouco a pouco o controle do jogo e começou a devassar devagarinho a la Martinho a defesa alvinegra. Um chute aqui, um cruzamento acolá. Até que, aos trinta e nove, depois de um escanteio mal escorado pela zaga arapiraquense, o lateral Paulo Sérgio e seus dezesseis clubes na CTPS acharam o centroavante Magrão sozinho na pequena área.

Mesmo com a vantagem no placar, o time da Pajuçara voltou ao segundo tempo bufando atrás do gol que garantiria a vitória, o retorno ao G-4, a vaga nas quartas e, quem sabe, salário garantido até o fim do ano.

Porque num país onde dezesseis mil jogadores ficam desempregados ao término dos estaduais, mais importante que taça, artilharia ou ascenso, é ter onde e quando jogar. Nos gramados brasileiros, o salário se conquista a cada jogo, em todas as bolas, por todos os minutos.

Como fez Tiago Cavalcanti, o atacante alvinegro que saiu do banco como quem briga pela última vaga de ajudante de pedreiro na obra super-faturada do estádio para marcar aos trinta e nove do segundo tempo o gol de empate do ASA.

Esforço em vão, já que pouco depois, o também reserva Marcelo Macedo aproveitou um bola desviada para marcar no apagar dos refletores, aos quarenta e três minutos, o gol da vitória regatiana.

Vitória e alívio para uns, derrota e tensão para outros. Os jogadores dos dois times voltam a campo no próximo final de semana, assim como os desempregados voltarão ao posto de atendimento do Ministério do Trabalho na segunda.

Todos em busca da sobrevivência.

Thalles Gomes

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